É preciso um Reencontro para contar a história (verdadeira) da imigração. Será dia 4 de Abril.

31 Março 2025
No próximo dia 4 de abril (sexta-feira) entre as 14h30 e as 17h30 a Escola Secundária de Vila Real de Santo António vai ser palco de um "encontro-desafio", em formato de mesa-redonda, onde vai ser dado espaço para a reflexão e para o debate em torno do fenómeno da imigração. Este será apenas um de três momentos de um dia inteiro dedicado ao fenómeno, a partir da realidade vivida neste agrupamento. No período da manhã decorrerá uma atividade que promete despertar consciências e, ao final de dia, o espaço dará lugar a uma confraternização multicultural. Esta é uma co-organização entre «MUROS: Imaginamos a Eurorregião Alentejo, Algarve e Andaluzia», ATREVO - Associação do Desenvolvimento Pessoal e Comunitário,  Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António e Centro de Formação de  Associação de Escolas do Levante Algarvio. Este evento integra, assim, o programa da «Semana da Interculturalidade» para o combate da pobreza e da exclusão social, da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) do Algarve. As inscrições para participar são gratuitas e estão disponíveis AQUI.
Fotografias: Ruben Silva
Serão vários os oradores convidados para, a partir das 14h30 do dia 4 de abril, se juntarem na «Sala Mário Centeno» da Escola Secundária de Vila Real de Santo António, a fim de refletirem sobre esta temática. Em destaque estarão, como não poderia deixar de ser, imigrantes que na primeira pessoa vão falar sobre as suas histórias de vida; de quem chega ao território e se tenta integrar na comunidade. De acordo com a organização, a sessão «O que é preciso contar sobre a história (verdadeira) da imigração?!» vão ser divulgados números e factos, nomeadamente sobre a realidade do Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António, onde atualmente estão integradas cerca de 30 nacionalidades estrangeiras representadas por cerca de 300 alunos tanto nos cursos diurnos como noturnos. “Vamos ouvir Histórias de Vida, numa sessão que vai ser também um lugar de esclarecimento sobre a importância das estruturas locais de apoio à Integração de migrantes e sobre a necessidade de aumentar a Literacia Mediática e o combate à Desinformação no nosso quotidiano.” Vai ser dada a oportunidade para se conhecerem projetos inovadores e inspiradores, das regiões vizinhas do Alentejo e da Andaluzia, e que "nos devem ativar para, em coletivo, promovermos a inclusão numa comunidade cada vez mais intercultural e com novos desafios". Para a organização será fundamental a participação cidadã, "contribuindo para o debate e ajudando a definir novas ações que sejam exequíveis na base local e comunitária", sendo este, de resto, "o grande repto", feito pela organização.
As Histórias de Vida na primeira pessoa vão ser um dos momentos mais emocionantes desta jornada
"Interculturalidade é desafio para a inclusão e sucesso educativo", alerta diretor do Agrupamento de Escolas de VRSA
Enquanto diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António, Rui Marques, declara que “a realização deste evento na Escola Secundária de Vila Real de Santo António é de enorme importância para a nossa comunidade educativa, tendo em conta a realidade multicultural do Agrupamento”. O responsável avança que o AEVRSA “integra mais de 500 alunos de aproximadamente 40 nacionalidades diferentes, tanto nos cursos diurnos como noturnos”. Rui Marques não tem dúvidas em afirmar que “esta diversidade representa um enorme potencial de enriquecimento cultural, mas também desafios no que toca à inclusão e ao sucesso educativo”. Ao acolher esta iniciativa a direção daquela Agrupamento reafirma o “compromisso com uma escola inclusiva, onde todos os alunos, independentemente da sua origem, tenham igualdade de oportunidades e se sintam parte integrante da comunidade”. Pois “a imigração é um fenómeno central na nossa região, e é fundamental que a escola se posicione como um espaço de reflexão e ação, promovendo o diálogo e a construção de soluções que fortaleçam a integração e a coesão social”.
Por seu turno, Celeste Sousa, diretora do Centro de Formação das Associações de Escolas (CFAE) do Levante Algarvio, considera que "abordar os temas imigração e a multiculturalidade é incontornável e desejável no contexto educativo atual. O CFAE Levante Algarvio tem intervenção em quatro concelhos da região: Vila Real de Santo António, Castro Marim, Alcoutim e Tavira. Ainda que volátil, resultado de entradas e saídas das famílias migrantes de Portugal, os dados conhecidos apontam para um número aproximado a 1000 alunos na área da nossa intervenção, o que exige um trabalho sistemático e consolidado com os seus seis Agrupamentos de Escolas (AEVRSA, AEDJI, AECTM, AE Alcoutim, AEDMI e AEDJAC)” .
Para este CFAE, “é fundamental trabalhar estas temáticas de forma a garantir uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem para todos os indivíduos, despertando na comunidade educativa a importância da diversidade cultural e os desafios enfrentados pelos imigrantes. Neste sentido é imprescindível a existência de um trabalho realizado com os múltiplos parceiros locais de forma que a concretização destes objetivos seja uma realidade”, remata a responsável.
Conhecer a realidade "ao redor é também muito importante e a união do Algarve ao Alentejo e à Andaluzia deverá servir também para em conjunto partilharmos os fenómenos sociais que não têm fronteiras", explica Susana Helena de Sousa, diretora do projeto «MUROS: Imaginamos a Eurorregião Alentejo, Algarve e Andaluzia».
Programa de dia 4 de Abril na Escola Secundária de Vila Real de Santo António. Inscrições são gratuitas.
"A inclusão dos imigrantes não acontece por geração espontânea", lembra especialista
O final da sessão vai contar com a participação do investigador José Carlos Mota, do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro, que com a sua enorme experiência, nomeadamente, na ativação comunitária e na inovação social, terá o importante contributo de elucidar e incentivar sobre a possibilidade de ser criada uma rede informal para a inclusão de imigrantes nos territórios. Este especialista recorda que, “a inclusão das comunidades de imigrantes é um dos maiores desafios do nosso regime democrático, especialmente nas regiões onde a população estrangeira tem crescido significativamente”. José Carlos Mota, refere que em municípios como Vila do Bispo, Odemira, Albufeira e Lagos, os residentes estrangeiros já representam mais de 40% da população, enquanto na região da Grande Lisboa são quase 20%.
Fazendo um ponto à realidade, José Carlos Mota, sublinha que “a inclusão de imigrantes não acontece por geração espontânea. Exige liderança pública ativa, especialmente por parte do poder local, bem como novos mecanismos de colaboração. As boas práticas existentes devem ser mapeadas, divulgadas e replicadas, e saúdo esta notável iniciativa pelo esforço nesse sentido. É fundamental que os imigrantes sejam protagonistas da sua própria integração, em vez de meros beneficiários de políticas públicas”. O investigador que vai estar na sessão a partir de Aveiro, conta que “em Portugal e, em particular, no Algarve, há já experiência consolidada nesta matéria. Na sessão que está a ser organizada, serão certamente apresentados exemplos em que as escolas, os clubes, as coletividades e o poder local desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão e na redução das barreiras do preconceito e da desconfiança”.
"Quanto menor a nossa capacidade de exercer a nossa interculturalidade maior será o risco de aumentar a desigualdade social, da discriminação, dos preconceitos, do tamanho dos nossos muros...", avisa voluntário
O dia 4 de abril iniciará com a Associação ATREVO que levará a cabo uma atividade que promete ser transformadora para os seus participantes, sendo que a dinâmica está reservada à comunidade escolar. A Associação Atrevo, de Faro, vai levar a cabo no próximo dia 4 de Abril, entre as 10h30 e as 13h00, uma atividade para a comunidade escolar da Escola Secundária de VRSA dedicada à «Interculturalidade», que pretende ser um momento de profunda aprendizagem. "É a interculturalidade, a nossa curiosidade pelas outras culturas, o nosso respeito pelos outros povos, a nossa tentativa de aproximação a outras origens, a nossa capacidade de partilha, a nossa valorização das diferenças, o nosso desejo de comunicar, interagir e descobrir que permite realçar a diversidade bem como a nossa própria identidade. É este amor à diversidade, é esta cultura de encontro, é este processo de humanização que nos permite relacionar, "conhecer a outra margem" e a construção de pontes... e as pontes são obras de arte", resume Nuno Alves, co-fundador desta Organização Sem Fins Lucrativos. Numa fase em que vivemos uma guerra em plena Europa, Nuno Alves recorda que "quanto menor for a nossa capacidade para nos relacionarmos com outras culturas, isto é, quanto menor a nossa capacidade de exercer a nossa interculturalidade, haverá inevitavelmente o risco de haver um aumento: da desigualdade social, da discriminação, dos preconceitos, do tamanho dos nossos muros, dos fenómenos de apartheid's e dos processos de guetificação". A atividade é gratuita e aberta à comunidade escolar com mais de 15 anos.
É de referir que a ATREVO é uma Associação para o Desenvolvimento Pessoal e Comunitário que funciona essencialmente na Escola Superior de Educação e Comunicação, da Universidade do Algarve (UAlg). Esta entidade acredita que "uma das formas de contribuir para o tão desejado desenvolvimento pessoal de indivíduos e das comunidades envolventes é através da capacitação", sendo que acredita que é a capacitar "os jovens estudantes em particular, pode apresentar um efeito multiplicador muito impactante na sociedade, trazendo assim uma maior consciência na atuação dos jovens-adultos e no seu desempenho profissional e voluntário".
No que diz respeito ao "estar ao serviço do outro, como por exemplo através do voluntariado, integrando projetos e respetivas Instituições, é essencial ter ferramentas específicas para que o trabalho voluntário tenha um impacto positivo e transformador no público-alvo. Com base nesta premissa, uma das ofertas formativas que a ATREVO tem é a Formação Geral para o Voluntariado (35h), abrangendo áreas temáticas tão diversas como: desigualdades e assimetrias sociais, solidariedade, participação e cidadania, exclusão social, interculturalidade, voluntariado (conceito e legislação), entre outras".
O Jornal do Algarve é media partner desta iniciativa.
Final de dia à volta de uma confraternização multicultural
A finalizar este dia de comemoração, a partir das 19h30 terá lugar um convívio multicultural que promete encerrar da melhor maneira esta jornada que, com grande fôlego, celebrará a interculturalidade no Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António.
Conheça todo o programa deste dia 4 de Abril:
Manhã: 
10h30-13h - Atividade «Os Derdianos» - Dinamizada pela «ATREVO» - Associação para o Desenvolvimento Pessoal e Comunitário
Tarde:
14h30: Abertura - Diretor AEVRSA
14h50: As Histórias de Vida dos imigrantes na primeira pessoa
15h30: Como facilitar  e mediar num contexto multicultural
15h40: CLAIM VRSA e o dia-a-dia no apoio aos migrantes
DEBATE - 15 minutos
16H05: A importância da Literacia Mediática e do Combate à Desinformação quando o tema é a Imigração – Investigadora Olivia Novoa Fernández (Universidade do Algarve)
16H15: Exemplos de Boa Prática com o envolvimento e a importância do envolvimento da comunidade: Alentejo e Andaluzia.
                      a) Projeto de Interculturalidade de crianças da província de Huelva
                      b) Associação ESTAR de Beja
16h35: Debate «O que podemos fazer munidos de factos e de empatia?»
17h00: Investigador José Carlos Mota: A importância de uma Rede de Inclusão Colaborativa de Imigrantes
17H30: Encerramento da Sessão
19h30: Convívio Multicultural

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