



«Como é que uma Eurorregião deixa de ser um mapa administrativo para se tornar um espaço vivido e um território de novos horizontes? O MUROS é um laboratório editorial independente que investiga como os territórios podem ativar novas escalas de relação, cooperação, participação e oportunidade, transformando espaços administrativos em territórios vividos».










Tudo começou com um documentário. Eu trabalhava para uma produtora de televisão quando o trabalho me levou, pela primeira vez, ao Baixo Guadiana — à procura de histórias sobre o contrabando tradicional que, durante décadas, atravessou o rio em ambos os sentidos, muito antes de qualquer fronteira administrativa lhe ter tentado pôr nome. O que encontrei não coube num documentário. Fiquei.
Decidi migrar para o barrocal algarvio, na raia com Espanha. E, quase no mesmo mês — como se o território tivesse decidido por mim —, surgiu o convite para integrar a redação do «Jornal do Baixo Guadiana». Foram doze anos a escrevermos sobre a atualidade comunitária do território raiano.
Foi também nesse território que decidi empreender: nasceu o «Monte do Malhão — Art, Eco & Spa», um projeto de turismo rural assente na sustentabilidade, num modelo de pequena escala, enraizado na paisagem e na arte. Numa região onde o Algarve corre o risco, como já foi dito por quem estuda o seu futuro, de se tornar uma "monoindústria turística", escolhi provar, com capital e trabalho próprios, que existe outro caminho possível.
É desta trajetória — documentário, migração, jornalismo local durante mais de uma década, empreendedorismo sustentável — que nasce o «Muros: Imaginamos a Eurorregião AAA». E nasce, também, de um momento muito concreto: apanhava ervas no Malhão quando a ideia me surgiu, sem aviso, como as melhores ideias costumam surgir.
MUROS não é, por isso, um projeto que descobre o território pela primeira vez, mas a continuação natural de um percurso que já dura mais de duas décadas dentro dele. Não escrevo sobre despovoamento, fixação de população ou modelos económicos alternativos como quem descreve um fenómeno alheio. Escrevo como quem, desde o dia em que um documentário me trouxe até aqui, nunca mais deixou de fazer as mesmas perguntas — algumas delas, literalmente, de joelhos na terra.
No que se foi transformando o «MUROS: Imaginamos a Eurorregião Alentejo, Algarve e Andaluzia»?
Hoje, o MUROS é um laboratório editorial independente dedicado ao território, à cidadania e à cooperação transfronteiriça. Nasceu com o objetivo de valorizar a escala cidadã e participativa de um território que une as três regiões ibéricas.
Um território feito de oportunidades, mas também de desafios. Acreditamos que estimular o pensamento crítico, aproximar o conhecimento das comunidades e promover a colaboração e a participação cidadã são caminhos para construir uma ideia mais profunda de coesão territorial.
Um território tem o mundo inteiro dentro. E as pontes só se constroem quando temos uma maior consciência dos muros.
Assim, vamos «espalhando a notícia» de um lado e de outro da fronteira: escutando quem vive, conhece e investiga o território, recolhendo histórias de vida, reunindo diferentes olhares e caminhando ao ritmo das pessoas que o habitam e lhe dão sentido.
Divulgar o MUROS é já uma forma de apoiar a sua sustentabilidade e de ajudar a levar mais longe estas histórias, ideias e reflexões sobre o território. Estamos à distância de um email: geral@muros.online. Privilegiamos a proximidade e o diálogo através do WhatsApp e do LinkedIn.
Nota de transparência: Por ser também proprietária de uma unidade de turismo rural na região, comprometo-me a nunca nomear, promover ou dar destaque editorial ao meu próprio negócio em coberturas sobre turismo rural, alojamento ou desenvolvimento económico ligado ao território da Eurorregião Alentejo, Algarve e Andaluzia.
Susana Helena de Sousa - Diretora











