A Economia Circular e os mercados secundários dizem muito sobre a resiliência do Interior do Algarve

Junho 4, 2024
A aldeia de Cachopo, na serra do caldeirão, em Tavira, vai acolher no próximo dia 8 de Junho várias atividades que têm como propósito maior celebrar o Dia Mundial do Ambiente. Desde a recolha de lixo, passando por oficina de reciclagem criativa de roupa, desfile de moda sustentável, música e uma tertúlia que se vai dedicar ao tema da Economia Circular e mercados secundários; as atividades previstas prometem dar centralidade a uma freguesia que mantém a resiliência em plena baixa densidade.

O próximo sábado promete ser intenso em Cachopo, sede de freguesia num Interior algarvio composto por agentes locais e comunidade que personificam a resilência, mas também a recuperação, tendo em conta as últimas notícias que nos falam sobre a reabertura da sala de Jardim-de-Infância numa aldeia que a tinha perdido há quase 20 anos. Uma das atividades em destaque vai ser a tertúlia, a partir das 15h, e que se dedicará ao tema «Economia Circular e mercados secundários». Convidados para dar o mote à conversa junto à icónica Fonte Férrea de Cachopo estão a vereadora do ambiente da câmara municipal de Tavira, Sónia Pires; a designer e empresária Cristina Guerreiro que com a sua marca Konceito-r tem inovado na área da reutilização criativa de vestuário, e ainda o professor Fernando Perna, da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve (ESGHT_UAlg).

“É no Interior que mais se reutiliza e se poupa nos recursos”

A Economia circular é apresentada como um conceito estratégico que se baseia na prevenção, redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e de energia. Ou seja, é a alternativa ao conceito de «fim-de-vida» da economia linear, promovendo novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação. Atualmente, a Economia circular é vista como um elemento-chave para promover a dissociação entre o crescimento económico e o aumento no consumo de recursos, relação tradicionalmente vista como inexorável.

Apesar de este ser um tema que considera “disruptivo” no que à abordagem diz respeito, Rafael Dias, presidente da Junta de Freguesia de Cachopo, avança que a economia circular e os mercados secundários são dinâmicas que a comunidade de terras de Interior como é aquela que lidera “conhecem muito bem”. Pois é por aqui que “mais se reutiliza, mais se poupa nos recursos e se coloca de novo em circulação”. O autarca remete-nos para a velha máxima em que «nada se perde tudo se transforma», num território “distante das grandes rotas comerciais”. O saber da população de Cachopo será sempre uma mais-valia para as boas práticas de economia circular que é vista cada vez mais como a alternativa sustentável na nossa economia onde a economia linear tem um impacto cada vez mais negativo ao nível social, económico e ambiental. “É preciso olhar para a economia de outra forma e verificar como estas comunidades de interior têm esse saber [de experiência feito] que deve ser aproveitado”. O facto desta tertúlia acontecer na Fonte Férrea, “um ex-libris da aldeia, vai permitir que as pessoas usufruam de um lugar de uma enorme beleza e do qual temos muito orgulho”, sublinha Rafael Dias.

A economia circular revela a sustentabilidade, mas também uma visão inteligente sobre a escassez de recursos
Fernando Perna, é docente na ESGHT da UAlg e sublinha ” a importância de um tema como a Economia Circular ser levado até Cachopo. Nomeadamente, no que ao setor turístico diz respeito, o docente considera que será sempre importante que se aprenda com as práticas do Interior e não se tente replicar modelos de massificação que não devem ter lugar nas zonas de baixa densidade. Ou seja, “tem de haver um respeito pelos lugares, suas dimensões e economias para que estas cresçam de forma sustentável e sem desvirtuar os conceitos de ruralidade e de circularidade”. Fernando Perna considera que esta tertúlia vai ser bastante importante até para “percebermos o que faz sentido para Cachopo quando falamos de turismo e outras atividades e de que modo podemos através da economia circular contribuir para combater o êxodo destes lugares e para aumentar a sua qualidade de vida”. O docente vai também apresentar alguns dados de apoios financeiros que existem para fomentar a economia circular em territórios de baixa densidade.
Como é que a Economia Circular pode atrair pessoas para o Interior?
Cristina Guerreiro tem sido uma lutadora na área do negócio de vestuário em segunda mão. Com mais de uma década de portas abertas em Faro, inovou há três anos para o «Upcycling» que se compromete com a reutilização criativa de roupas cujo destino seriam os aterros sanitários. Está a colher o que tem vindo a semear e “sem mãos a medir para tanto trabalho”. Promete lançar na tertúlia vários tópicos que podem revirar as terras e torná-las mais férteis e espaço de lançamento de sementes de inovação em plena serra algarvia. “Há tanto que a economia circular e a área a que me dedico pode fazer pela população local que procura oportunidades de negócio nas suas terras de Interior. Para isso é também importante o cuidado e o apoio das entidades que têm o papel de ajudar a fixar população. Mas é possível, muito possível”, avisa Cristina da Konveito-r.
A tertúlia vai ser moderada pela nossa editora Susana Helena de Sousa.
Conheça o programa do próximo dia 8 de Junho em Cachopo
As celebrações do Dia Mundial do Ambiente  em Cachopo, uma das «Aldeias de Portugal», começa pelas 10h e prolonga-se até ao fim da tarde. O acesso às atividades é livre, sendo que para participar na oficina «Second hand fashion asn own upcycling», de Cristina Guerreiro, deve inscrever-se através do email: juntafreguesiacachopo@gmail.com
A organização deste dia é da Junta de Freguesia de Cachopo e da Associação de Festas da Freguesia de Cachopo.

 


Deixe um comentário